Universidade Federal de Pelotas
Resumen:
O filme "O homem que copiava" de produção brasileira e dirigido por Jorge Furtado em 2003 traz uma crítica bem delicada e às vezes bem direta a desigualdade social, a vontade de se encaixar e as poucas oportunidades que os jovens brasileiros têm. A narrativa acompanha André, um jovem negro e pobre que, buscando por uma vida melhor acaba recorrendo a caminhos ilegais. Misturando drama, romance e humor, o filme nos faz refletir sobre como as decisões das pessoas podem ser influenciadas pelo ambiente social e econômico em que vivem.
Palabras Clave: Racismo | desigualdade | crime.
About Dreaming, Making Mistakes and Trying to Win: A Look at The Man Who Copied by Occupational Therapy Students
Abstract:
The film "The Man Who Copied", a Brazilian production and directed by Jorge Furtado in 2003, offers a delicate and sometimes direct critique of social inequality, the desire to fit in and the few opportunities that young Brazilians have. The narrative follows André, a poor black young man who, in search of a better life, ends up resorting to illegal means. Mixing drama, romance and humor, the film makes us reflect on how people’s decisions can be influenced by the social and economic environment in which they live.
Keywords: racism | inequality | crime.
Introdução
O personagem principal é André, um jovem negro de baixa renda, que trabalha em uma loja operando uma fotocopiadora e enfrenta dificuldades financeiras desde o início da trama.
Na primeira cena, André é obrigado a deixar produtos no caixa do supermercado por falta de dinheiro, o que já evidencia a sua situação difícil. André vive em Porto Alegre e sonha com uma vida melhor. Apaixona-se por Silvia, uma jovem que mora próxima à sua casa, e passa a observá-la à distância, alimentando o desejo de conquistá-la. Movido tanto peloamor quanto pela necessidade financeira, ele decide falsificar notas de 50 reais utilizando a fotocopiadora da loja onde trabalha. Inicialmente, acredita que está controlando a situação e que essa será sua chance de mudar de vida. Entretanto, as coisas se complicam quando André presencia o "Pai" de Silvia espionando-a por um buraco da fechadura, o que marca um ponto de tensão no enredo. A partir desse momento, os acontecimentos se aceleram e o protagonista se envolve em um plano arriscado: o assalto a um carro-forte, com o objetivo de obter dinheiro suficiente para pedir a Silvia em casamento. O assalto ocorre conforme o planejado, mas durante a fuga, André é surpreendido pelo "Pai" de Silvia, que o reconhece.
No desfecho, uma reviravolta revela que Silvia sempre soube que estava sendo observada por André e, inclusive, ela também manipulou situações para que ele se apaixonasse por ela, invertendo as expectativas do espectador.
Análise
O Homem que copiava vai além de uma simples história de amor e crime. O filme faz uma reflexão crítica sobre como as desigualdades sociais e econômicas influenciam as escolhas das pessoas e os seus limites. A história é contada em primeira pessoa pelo próprio André, ajuda o público a entender melhor seus dilemas, suas falhas e suas ambições.
A produção também aborda temas como racismo estrutural e marginalização, mostrando que, mesmo sendo um trabalhador sonhador, André se sente preso pelas circunstâncias e acaba optando por caminhos ilegais na tentativa de subir na vida.
Vale destacar o duplo sentido que aparece em várias partes do filme. Em muitos momentos, a narrativa brinca com o conceito de certo e errado, mostrando que essas categorias nem sempre são claras. O público acaba identificando-se com André e Silvia, que, apesar de serem vítimas das injustiças sociais, também cometem crimes e no final, o que seria considerado "ruim" vence, pois eles saem impunes dos crimes cometidos. E acaba gerando uma reflexão profunda: será que, diante de um sistema tão desigual e excludente, há espaço para escolhas corretas? Ou a própria sociedade empurra os indivíduos para esses caminhos alternativas e moralmente questionáveis? Com o passar do filme, dois personagens chamam a atenção na jornada de André: Marinês e Cardoso. Os dois mostram, em jeitos diferentes, os impactos das desigualdades sociais e as escolhas que as pessoas fazem para enfrentar suas dificuldades. Marinês, colega de trabalho de André na copiadora, representa as pessoas comuns que, apesar de uma rotina simples e limitada, mantêm seus sonhos e aspirações. Ela simboliza a jovem trabalhadora que, assim como André, procura escapar da estagnação, porém aindatenta permanecer nos meios legais. O vínculo entre eles intensifica o sentimento de descontentamento coletivo e as pequenas alianças formadas no ambiente de trabalho, onde todos, de algum modo, buscam uma vida melhor, mesmo sem saber como.
Por outro lado, Cardoso representa as oportunidades fora da lei que a marginalização social frequentemente proporciona. Ele se apresenta como uma pessoa carismática mas rapidamente se mostra envolvido em atividades suspeitas. Cardoso se torna a ligação entre André e o mundo do crime, inserindo o protagonista em atividades ilegais prometendo uma solução rápida para suas dificuldades financeiras. Sua presença fortalece a mensagem do filme sobre os limites entre o certo e o errado.
Outro ponto importante é o papel da personagem Silvia. No começo, ela parece ser uma pessoa ingênua, mas no final, ela mostra que tem autonomia e sabe agir com estratégia. Isso revela que as aparências às vezes enganam e que nem sempre o controle das situações é o que parece ser.
Conclusão
É uma obra brasileira que combina elementos de romance, crime e crítica social, ressaltando as contradições e dificuldades vividas pelos jovens brasileiros em vulnerabilidade. Através da trajetória de André, o filme provoca reflexões sobre as consequências das escolhas, a busca por melhoria de vida e o impacto das desigualdades no dia a dia.
Tem um destaque não apenas pelo enredo original, mas também pela forma irônica e inteligente com que aborda temas sociais profundos, contribuindo para o debate sobre as estruturas sociais no Brasil, o racismo e a sociedade atual.
Referencias:
Fressato, Soleni Biscouto. O homem que copiava: a juventude em busca de uma identidade na “sociedade do espetáculo”. In: Simpósio nacional de história, 25., 2009, Fortaleza. Anais... Fortaleza: ANPUH, 2009. Disponível em: cional-de-historia>.
Dória, Lílian Fleury. Inventividade e identidade no filme "O homem que copiava". Caligrama (São Paulo. Online), v. 3, n. 3, p. 1–13, dez. 2007. DOI: 10.11606/issn.1808-0820.cali.2007.66054
Pieri, D. Crítica | O Homem Que Copiava (2003), de Jorge Furtado. Disponível em: e-furtado>.
Rocha, D. Produção de subjetividade: a lição de O homem que copiava. DELTA: Documentação de Estudos em Linguística Teórica e Aplicada, v. 23, n. 1, p. 97–126, 1 jan. 2007.
NOTAS
FORUM
Película:El hombre que copiaba
Título Original:O Homem que Copiava
Director: Jorge Furtado
Año: 2003
País: Brasil
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